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Os detetives particulares existem há mais de 150 anos. A primeira agência de detetives particulares foi aberta na França, em 1833. Em 1850, Allan Pinkerton abriu a Agência Nacional de Detetives Pinkerton, que se tornou uma das agências mais famosas dos Estados Unidos. Esta agência ganhou fama por furar greves, mas também contribuiu muito para o campo da sanção da lei e da investigação. Ela tem o crédito do conceito de assalto, e o termo "olho secreto" surgiu de seu logo original.

Atualmente, um quarto dos detetives particulares nos Estados Unidos são autônomos e entre os que não são, aproximadamente um quarto trabalha para agências de detetives e serviços de segurança [fonte: U.S. bureau of Labor Statistics]. O restante trabalha para instituições financeiras, serviços de crédito e outras empresas. Muitos detetives escolhem um campo específico da investigação, baseados em suas experiências e treinamentos. Por exemplo, alguém formado em administração pode se tornar um investigador corporativo. Um investigador com experiência em patentes e marcas pode se concentrar em roubo de propriedade intelectual . Um contador público pode se especializar em investigação financeira.

Porém não importa a especialidade, o trabalho de um detetive é conduzido através de investigações.

 

COMO FUNCIONA O DETETIVE NOS ESTADOS UNIDOS

No mundo dos detetives da ficção, os clientes normalmente pedem ajuda aos investigadores porque as informações que eles precisam não são de jurisdição da polícia. Eles também podem estar com medo de pedir ajuda para a polícia. Em alguns casos, os clientes já tentaram trabalhar com agências de investigação e detetives, mas não estão contentes com o resultado. Normalmente, os clientes da ficção estão procurando por:

  • objetos perdidos ou roubados;
  • provas de que um(a) companheiro(a) está sendo infiel;
  • provas de que um amigo ou sócio é desonesto;
  • amigos ou parentes desaparecidos;
  • o autor de um crime não solucionado.

Embora os clientes verdadeiros não sejam as mulheres aflitas que aparecem na ficção, os casos que comumente acontecem nos filmes e livros também são comuns na vida real. A bagagem de um detetive real normalmente inclui investigações de segundo plano, traços de fuga e buscas por pessoas desaparecidas. Os investigadores também podem entregar documentos de notificação legal. Nos Estados Unidos, isto faz parte do devido processo, garantido na 5ª e 14ª Emenda da Constituição.

Naturalmente, as atividades do dia-a-dia dependem da especialidade do detetive. Alguém especializado em propriedade intelectual gastará muito mais mais tempo estudando patentes do que vigiando hotéis atrás de companheiros infiéis. Alguns casos também são mais comuns em algumas regiões. Por exemplo: na cidade de Nova York, alguns senhorios contratam investigadores particulares para descobrir se os inquilinos de seus apartamentos estão violando os termos do contrato de aluguel. Os investigadores procuram por provas físicas de violações como o sublocação ou a utilização de unidades residenciais para fins comerciais [Fonte: New York Times (em inglês)].

Encontrar o autor de um crime não solucionado pode não parecer ter muito em comum com encontrar evidências de um inquilino, mas a tarefa básica envolvida é a mesma: a fim de resolver qualquer caso, um investigador particular tem de reunir e organizar os fatos.

Unir fatos envolvem mais do que a ter sorte e depender da intuição (na qual alguns investigadores da ficção parecem se basear). A resolução bem-sucedida de um caso começa com planejamento e análise. O investigador precisa:

  • discutir o caso com o cliente e determinar se é legal, ético e possível de ser resolvido;
  • preparar um plano e orçamento para a reunião das informações necessárias;
  • conduzir a investigação, reunindo evidências de forma que possam ser apresentadas ao tribunal, caso seja necessário;
  • analisar as evidências;
  • se reportar ao cliente com as novidades.

Como qualquer bom pesquisador, um detetive particular usa múltiplas fontes de informações para resolver um caso. A fonte mais comumente associada a ele é a vigilância. A idéia básica da vigilância é simples: o detetive segue um alvo e registra onde ele vai e quem ele encontra. Na verdade, vigiar pode ser bem difícil. Seguir pessoas sem perdê-las ou ser percebido é algo bem complicado. Enquanto algumas grandes agências de investigação têm vans de vigilância sofisticadas, muitos investigadores simplesmente trabalham em seus carros. O processo de observar alguém também pode ser longo e tedioso, sem pausas.

Os pesquisadores também podem entrevistar suspeitos e testemunhas. Em geral, a pessoa que está sendo investigada não tem obrigação legal de falar com o investigador, e é por isso que o processo normalmente envolve tempo na construção da compreensão e do conforto do "entrevistado". Além disso, alguns detetives usam pretextos ou disfarces para conseguir informações de pessoas que poderiam não querer falar com eles em outras condições. Usar disfarces para obter informações pode ter implicações legais e éticas - veja "A investigação particular e a lei" para aprender mais.

Os registros públicos são outras fontes de informações. Muitos deles são registros que os cidadãos comuns podem acessar, mas os detetives particulares geralmente sabem como perguntar e acessar facilmente tais informações. Em alguns casos, eles podem acessar bancos de dados que procuram múltiplas fontes de registros de uma só vez. Estes bancos de dados geralmente não estão dispoiníveis para o público em geral. Os registros que geralmente os detetives pesquisam são:

  • registros de impostos;
  • transações imobiliárias;
  • registros de óbitos e nascimentos;
  • registros de julgamentos;
  • registros eleitorais;
  • licenças comerciais;
  • registros de estatísticas vitais;
  • registros de veículos.

Além de reunir informações, os detetives particulares precisam saber como analisá-las e mostrá-las para seus clientes. Junto das técnicas que usam para reunir as informações, essa habilidade faz parte de seu treinamento investigativo.

 

Treinamento e licenciamento

Muitas pessoas que decidem se tornar detetives particulares já têm experiência em algum ramo relacionado. Elas podem ter servido o exército ou trabalhado como policiais. Outras têm experiência em investigação criminal ou em vigilância. Embora essa experiência possa ser útil, ela não substitui o estudo e o treinamento.

Na maioria dos casos, as pessoas aprendem a ser detetives particulares sendo aprendizes de detetives experientes ou através de instruções formais. Tanto no trabalho quanto na sala de aula, o futuro detetive aprende sobre:

  • o planejamento e a coordenação das invetigações;
  • técnicas investigativas e de vigilância;
  • as leis e a ética da prática investigativa;
  • como interrogar testemunhas;
  • como lidar com as evidências.

Alguns investigadores também usam DVDs e programas de ensino à distância.

Em muitas partes do mundo, o estudo e o treinamento são apenas os primeiros passos. Para se tornar um detetive particular também é preciso se candidatar a uma licença e consegui-la, mas o processo pelo qual a pessoa tem de passar varia de acordo com o lugar. Na Inglaterra e em Gales, por exemplo, não existe um procedimento oficial de licenciamento, mas a Security Industry Authority, que regulariza a segurança privada na Grã-Bretanha, fez uma pesquisa em 2005 e 2006 que pode finalmente levar ao licenciamento dos detetives privados.

 

 

 

Licença de investigador particular de Lando Pepper

 

Nos Estados Unidos, cada estado tem suas próprias exigências de licenciamento. Os estados do Alabama, Alasca, Colorado, Idaho, Mississipi, Missouri e Dakota do Sul não têm tais procedimentos. A maioria dos outros Estados exige uma mistura de ensino e treinamento e o candidato tem que ter ficha criminal limpa. Alguns Estados ainda exigem que as escolas apresentem suas grades curriculares e estejam de acordo com critérios específicos para serem aprovadas. Nesses Estados, apenas as pessoas que estudaram em escolas certificadas podem se tornar detetives licenciados.

As matérias e a duração do curso exigido para obter a licença variam consideravelmente. Na Califórnia, os candidatos precisam terminar cursos específicos e passar em provas escritas. A terminologia também pode ser diferente: em Massachusetts, os detetives particulares têm licenças estaduais, mas os investigadores particulares não. Alguns Estados exigem que eles tenham seguro responsabilidade. Finalmente, alguns estados permitem que eles usem armas de fogo, o que geralmente exige que o detetive se candidate a e receba permissão para tanto.

Ter a licença permite que o detetive atue num Estado específico, mas a natureza do trabalho pode exigir que ele vá para para outros Estados. Alguns Estados têm acordos de reciprocidade, que consistem de permitir que uma pessoa com licença para atuar num Estado possa fazê-lo no outro também. Os detetives que trabalham em Estados que não tenham estes acordos às vezes pedem licenças em Estados vizinhos também. Outros desenvolvem uma rede de relacionamentos com detetives de outros estados, trabalhando como ajudantes, aprendizes ou trainees durante suas viagens.

Enquanto a licença permite que a apresentação como detetive particular, ela não permite que se desobedeça a lei durante as investigações.